Curso de Formação em Hepatologia da APEF aposta nas doenças autoimunes e de sobrecarga em 2026

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) promoveu mais uma edição do Curso de Formação em Hepatologia, em 2026, desta vez dedicada ao tema “Doenças autoimunes e de Sobrecarga”. A iniciativa, que se afirma como uma referência na formação contínua em Hepatologia em Portugal, pretendeu responder aos desafios atuais da prática clínica, aliando atualização científica a uma forte componente prática.

Segundo Joana Magalhães, Coordenadora do Curso e Membro da Direção da APEF, a escolha do tema reflete a necessidade de garantir uma formação abrangente e atualizada. “O Curso de Formação em Hepatologia procura alternar os temas a cada ano, garantindo aos formandos uma atualização contínua nas várias áreas da Hepatologia. Nesta edição, a comissão de formação da APEF decidiu focar nas doenças autoimunes, patologias cada vez mais frequentes na nossa prática clínica”, explica, acrescentando que foram também incluídas “as doenças de sobrecarga e doenças genéticas menos comuns, mas com relevância clínica crescente”.

A edição de 2026 teve como principal objetivo complementar a formação em áreas específicas da hepatologia, com especial foco nas doenças hepáticas autoimunes, sem descurar patologias menos frequentes. Para Joana Magalhães, o elemento diferenciador desta edição reside precisamente nessa abordagem mais ampla e orientada para a prática clínica: “O que distingue esta edição é precisamente essa aposta numa formação mais abrangente e orientada para o diagnóstico precoce de algumas patologias menos frequentes, com o objetivo final de um diagnóstico precoce e uma adequada orientação do doente”.

Os desafios associados ao diagnóstico e tratamento destas patologias estiveram no centro da discussão ao longo do curso. A coordenadora sublinha que as dificuldades começam muitas vezes na apresentação clínica: “Os maiores desafios prendem-se com a apresentação clínica frequentemente inespecífica, a complexidade dos critérios diagnósticos e a necessidade de uma correta interpretação dos exames laboratoriais, imagiológicos e histológicos”. A estes juntam-se ainda desafios terapêuticos relevantes, como “a individualização da terapêutica, a gestão dos efeitos adversos, a adesão ao tratamento e a definição de um seguimento clínico adequado a longo prazo”.

Do ponto de vista científico e clínico, o programa foi desenhado para privilegiar uma atualização baseada nos avanços mais recentes, sem perder de vista a aplicabilidade prática. “Foi privilegiada uma atualização científica aliada a uma abordagem prática e orientada para a tomada de decisão clínica”, refere Joana Magalhães, destacando o desenvolvimento de competências como o raciocínio diagnóstico, a estratificação de risco, a escolha terapêutica e a monitorização contínua dos doentes.

A estrutura do curso foi pensada para responder às necessidades de formação de diferentes profissionais de saúde, com distintos níveis de experiência. “Procurámos articular uma componente teórica sólida com uma forte vertente prática, baseada em casos clínicos e discussão multidisciplinar, de forma a responder às necessidades reais da prática clínica”, sublinha.

Para a APEF, este investimento na formação contínua é essencial para a melhoria dos cuidados em Hepatologia em Portugal. “Esta formação contribui para uma atualização contínua e estruturada em áreas fundamentais da Hepatologia, permitindo aliar a evidência científica mais recente à realidade da prática clínica em Portugal”, afirma a coordenadora, acrescentando que este esforço se traduz “na melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos doentes e na promoção de uma prática clínica mais consistente e homogénea em todo o país”.

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